Estadão: Sandy, Junior. Leves, agora sem '&'

Sandy Leah e Junior Lima estão mais relaxados depois de, numa decisão 'de macho', resolveram tirar o peso do 'e' das costas e desfazer a dupla lançada há 17 anos. Ao Estado, admitiram que há tempos já estava na cara que o formato de dupla atrapalhava qualquer vôo pop, por mais capricho que imprimissem aos arranjos, letras, movimentação de palco. 'Você fala Sandy 'e' Junior. Não é pop mesmo', disse o músico e produtor, numa entrevista anteontem, na suíte de um hotel em São Paulo.

A ex-dupla cumpriu mais uma maratona de entrevistas e mais uma etapa no processo de separação, iniciado em abril. Ontem, começaram em Votuporanga, no interior, uma longa turnê, que deve chegar a todas as capitais brasileiras, além de grandes centros, até o fim do ano. Amanhã, chega às lojas o último CD dos dois juntos, o Acústico Sandy e Junior.

Nesta entrevista, ambos falam francamente sobre separação, o processo de produção do disco e repassam um pouco da carreira que rendeu 16 álbuns e 15 milhões de discos vendidos. Foram educados, espertos e alegres, como sempre - Junior, em especial, um piadista. Mas, sobretudo, estão diferentes, leves, levinhos.

Como foi o processo de produção do CD? Com fizeram a seleção musical?
Sandy -
Escolher 20 músicas de uma carreira de 17 anos é difícil. Cada um fez uma pré-seleção. Cheguei a 34 músicas. Passamos um pente fino, com vários critérios, não só com base nos sucessos, mas também nas possibilidades de novos arranjos.
Junior - Eu tenho nosso repertório todo no meu i-Pod. Fui fazendo playlists, ouvindo CD por CD. Ficava ouvindo no carro e tirando músicas. Queríamos dar uma personalidade ao CD. Precisávamos deixar com a mesma cara músicas de 1994, de 1997 até 2006.

Se preocuparam, então, em modernizar as canções mais antigas?
Sandy -
Fora Maria Chiquinha, a música mais antiga do disco é Com Você, de 1994, uma regravação do Jackson Five. É uma música antiga, uma letra meio infantil. Resolvemos deixar o arranjo dela mais parecido com o original, um jeito meio anos 70 que hoje soa tão moderno. Todo mundo sabe que a gente não tem mais idade para cantar essas letras singelas, mas resolvemos assumir nosso repertório.
Junior - É a releitura da nossa história. Para Ilusão, que tem uma letra bem singela, fizemos um arranjo que é mais a nossa cara hoje.

Como foi o dia da gravação?
Sandy -
São vários os sentimentos. Todo o processo de preparação já soava um pouco como despedida, porque estávamos ensaiando o último trabalho. Passamos mais de um mês produzindo, vivendo, dormindo e sonhando com isso. Daí, chega lá na hora, grava e acabou. É mais uma quebra, todo dia tem uma despedida. É de cortar os pulsos!

Como vocês se vêem na história da música brasileira?
Junior -
Ah, a gente tem nosso espaço, né? Fizemos muitas coisas marcantes. Fomos os primeiros brasileiros a tocar sozinhos no Maracanã. Tenho muito orgulho da nossa história. Outro dia, vi no YouTube um vídeo 'coisas da nossa infância'. Sabe aquelas coisas antigas? Tinha lá, Atari, Pogoball e Sandy e Junior. Só de saber que marcamos a infância de uma galera, fico satisfeitaço.

Há tempos ouvimos boatos sobre a separação da dupla. Quando foi, de fato, que caiu a ficha de que o melhor era separar?
Sandy -
Ah, divulgam boatos sobre a nossa separação desde o começo da carreira. Mas decidimos isso pouquíssimo tempo antes da coletiva.
Junior - Foi muito louco. Cada um pensava nisso, sim, há um tempo, mas precisava ter peito para encarar a decisão. Numa reunião, um olhou no olho do outro e fizemos uma cara de 'é, né...' Ligamos na hora para a Universal, morrendo de medo. Nos deram parabéns, 'poxa, vocês são muito machos!'

Acho que o formato de dupla, dupla de irmãos, atrapalhou vocês. Soava meio démodé, meio Jane e Erondi.
Junior -
É! Se você pensar no nome, então, Sandy 'e' Junior... No Acústico, ficamos no palco de frente um para o outro, não de ladinho. Achei o máximo, porque sempre tivemos essa questão, os dois parados feitos dupla.
Sandy - Quando a gente quis ficar mais pop, percebeu que essa coisa de dupla atrapalhava a gente. O formato de dupla não é pop.

E como vai ser o futuro? Junior, você desfez o Soul Funk bem agora, que ficou sem a Sandy?
Junior -
O Soul Funk era uma banda de balada, de covers. Achei melhor me dedicar mesmo ao fim da dupla.
Sandy - Eu ainda não pensei em nada. Depois, quando a turnê estiver andando, eu penso. Quero parar no ano que vem, tirar pelo menos um mês para descansar de verdade. Preciso dar uma chacoalhada.

Frases

'Um olhou no olho do outro e fez uma cara de 'é, né...'. Ligamos na hora para a (gravadora) Universal, morrendo de medo. Nos deram os parabéns , dizendo 'poxa, vocês são muito machos!' - JUNIOR

' Quando a gente quis ficar mais pop, percebeu que essa coisa de dupla atrapalhava a gente. O formato de dupla não é pop' - SANDY

' Tenho muito orgulho da nossa história . Outro dia, eu vi no YouTube um vídeo 'coisas da nossa infância'.Tinha lá, Atari, Pogoball e Sandy e Junior. Só de saber que marcamos a infância de uma galera, fico satisfeitaço' - JUNIOR

' Ainda não pensei em nada. Quero parar, tirar pelo menos um mês para descansar. Preciso dar uma chacoalhada' - SANDY

Fonte: Estadão